Comovidos ou mobilizados?

  • Percebo que existem muitas maneiras de comover pessoas. Mostra-se algo que simbolize qualquer tipo de desconforto, exclusão ou sofrimento e logo temos uma comoção geral. Também percebo que a comoção é altamente contagiante. Logo, rapidinho, bem depressa já engrossam os cordões e correntes de comoção. Às vezes a comoção fica tão forte que chega à beira do desconforto. Penso que quando lidamos com culpas tudo fica mais sensível e passível de comoção generalizada. Quando mexemos em nossas bases sociais, familiares ou espirituais em que nos vemos fragilizados ou devedores, e tudo passa para um lado perigoso de comoção. Uma criança, um idoso ou até mesmo um animal sendo excluído, desrespeitado ou mal atendido e pronto. Lá vamos nós em defesa dos desvalidos. E aí, o que fazemos?

    Aqui começo a pensar na importância da mobilização e catalisação de forças para reverter situações desfavoráveis. Quando somos atingidos profundamente por algo. Quando algo vai mais fundo do que uma comoção de momento. Quando avaliamos nosso potencial de ação e inserção nas situações difíceis. Aí então entramos em processos de mobilização. O que eu posso fazer, realizar, executar, desenvolver para converter essa situação que agora me visita e me comove? Essa pergunta exige uma resposta de ação e não apenas de apoio à horrorização e à comoção generalizada.

    Quando Jesus tratou desse assunto ele contou uma história de um homem que ficou à deriva da sua própria sociedade, foi vítima de assalto e violência. Jesus colocou naquele cenário vários personagens. Três deles eram os que poderiam fazer algo, se mobilizar para acontecer algo diferente no sentido de converter aquela situação de humilhação. Foi uma cena forte que Jesus construiu para falar dessa mobilização humanitária. Na cena do excluído e sofredor aparecem três outros personagens. Dois que nem olham, para não se comover e um que para, olha e age. O terceiro se mobilizou para reverter. A mobilização passou pela disposição de interromper o que estava fazendo, ampliou-se ao ponto de levá-lo a abrir sua mochila para partilhar os socorros, foi até o empréstimo do seu meio de transporte, chegou mais adiante até ao hotel e hospedagem e conclui com o pagamento da conta. Pronto, a mobilização converteu o quadro. E Jesus pergunta: “Qual te impressionou mais?” A resposta continua sendo: “O terceiro”. Todos concordamos sobre isto. E Jesus diz: “Vá e faça a mesma coisa.”

  • O Natal é uma época de muitas comoções e porque não de tantas mobilizações. Você e eu podemos elaborar ações que efetivamente gerem qualidade de vida para todos. Quem ajuda e quem é ajudado melhoram quando isto acontece. O convite que te faço é no sentido de sermos mobilizadores de forças neste Natal. Que sejamos efetivos, eficientes e eficazes. Que nossas ações sejam evidentes. Que sejamos aqueles que param, olham, escutam, agem, acolhem e acreditam no poder das ações transformadoras da humanidade.

    O Natal é Deus agindo. É Cristo vindo. É ação mobilizadora de início ao fim. Deus não ficou apenas comovido conosco, Ele mobilizou-se por nós. Nasceu e habitou entre nós.

    Este pode ser um Feliz Natal com muitas mobilizações ou um Natal feliz com muitas comoções. A comoção é estagnante, a mobilização é fonte geradora de vida em todos os sentidos. Tenha você e sua família um Feliz Natal. Mobilize-se.

  • Pastor Alcione Eidam – Capelão