A esperança entre os jovens

  •     Estamos passando por um período que nos traz convites bem importantes no sentido de lançarmos um olhar diferente aos nossos jovens e adolescentes. Este não é um convite social daquele tipo que todos recebem, mas nem todos se sentem convidados a refletir. Não é um convite transferível, daquele que passamos para outros responderem. Não é um convite banal, daqueles que recebemos a toda hora e, por isso, podemos descartar, como aqueles folhetos de propaganda deixados em nossos portões.

        O convite é bem pessoal e dirigido especificamente à família. Um convite para pai e mãe, com nome e sobrenome. Os jovens estão enviando convites para seus pais, alguns convites são especificamente declarações e pedidos de ajuda: ” Não dá mais para viver conectado a fontes frias e indiferentes como as redes sociais virtuais”. Este convite pode vir em linguagem codificada, o que torna mais difícil a identificação do destinatário e até mesmo do conteúdo. Mas os convites estão chegando. Aqueles convites que retornam porque os pais não viram, não leram, não responderam ou transferiram, estes estão sendo reenviados para os jogadores como o grupo organizador do “Baleia Azul”, ou para outros grupos de apoio que dizem entender os “treze Por quês” de jovens fazerem algumas coisas que podem resultar em desastre familiar.

    Esperança ainda é um tema que fica na esperança de ser entendido como importante.

         Precisamos ter algo a esperar e não apenas ter algo a consumir. Pessoas sem esperança consomem o seu momento presente ou consomem tudo aquilo que lhes é oferecido, muitas vezes, sem critérios. Não Há futuro, apenas presente e se este tempo presente não está muito bom ou não está seguro, então pode terminar com ele como se encerra um jogo eletrônico. Aliás, joga-se muito e o jogo vicia e cria dependências sociais de isolamento e falta de sentido existencial. Vive-se para jogar, ganhar ou perder. A vida se resume a isso. Há alguns anos as famílias sofriam pelos vícios de jogos de pais que gastavam tudo e se afastavam das famílias nas jogatinas nas esquinas das cidades. Hoje o isolamento social pelo jogo está afetando as gerações mais novas. Os perigos desses isolamentos estão exatamente no resultado a longo prazo. De imediato, é bom o resultado: “eles se acalmam e param de incomodar. ”

  • O convite não está vindo por escrito nem pela fala, mas pelas atitudes e pelos resultados desastrosos que esses isolamentos estão produzindo. O Silêncio sempre foi perigoso e agora ele está gritando. A partir desses isolamentos sociais, dentro de casa, estão surgindo situações que a família precisa atender. Não dá para transferir para a escola, para a igreja, para o consultório psicológico, para o médico, para o terapeuta. Todos eles podem ajudar, mas o grito primeiro é para a família que precisa urgentemente voltar a assumir o seu papel social doméstico, no qual há um pai e uma mãe presentes. Pais que juntos acolhem seus filhos, conversam com eles e conseguem deixá-los seguros a ponto de terem vontade de falar sobre suas vidas, suas emoções, seus medos, angústias, aflições e principalmente alegrias.

    Nossos filhos precisam aprender ou reaprender a cultivar ESPERANÇAS. Precisam aprender a querer e buscar mais da vida, terem metas, objetivos, alvos. Terem vontade de ir atrás dos seus sonhos. Precisam aprender a reconhecer seus sonhos ou aprender a sonhar. Precisam aprender a acordar dos seus pesadelos e saber que eles têm uma família presente. A família precisa se reinventar. Não podemos nem devemos banalizar os sentimentos dos nossos filhos. Não podemos nem devemos superproteger nossos filhos. Não podemos nem devemos entrar nos jogos de isolamento dos nossos filhos. Precisamos aprender a lidar com tudo aquilo que é natural no ser humano e que, muitas vezes, não reconhecemos e não valorizamos, o que não significa que não existam sentimentos e emoções que regem nossas atitudes.

  • Pastor Alcione Eidam – Capelão