“Nossas façanhas ... de modelo à toda terra.”

  • Mês de Setembro é mês de cantar o hino do Rio Grande do Sul com aquela empolgação Maragata ou Ximanga. Rasgar o peito no hino que identifica este Estado tão aguerrido, marcado por batalhas, guerras e conquistas.

    “Sirvam nossas façanhas de modelo à toda terra.” Essa frase traz em si um convite à uma reflexão bastante necessária para pessoas que desejam passar pela história de um lugar e deixar ali seu legado. Mais do que isso, passa por aqui o desejo de ser modelo, inspiração. Desejo que se amplia além fronteiras, que seja de modelo “à toda terra”. Estamos falando de universo, “toda a terra”. Que força gigante desejamos ter quando cantamos nosso hino.

    Como ser exemplo com tanta força, impacto e com tanto poder de convencimento? Nossos dicionários descrevem “Façanha” como feito heroico; proeza impressionante; ato heroico; ação cuja realização é muito difícil ou árdua; conquista, realização. No mesmo hino encontramos outra frase que diz: “povo que não tem virtude, acaba por ser escravo.” Bem, aí já encontramos uma forma de ser impactante, de realizar “façanhas”. As virtudes, os valores, as marcas éticas, morais e espirituais de um povo podem ser suas maiores façanhas. Estas façanhas podem impressionar toda a terra.

    Quando olhamos as histórias dos povos antigos, vamos encontrar um povo que marcou o seu tempo com verdadeiras façanhas. Atos que até hoje servem de referência para toda a terra. O povo bíblico, os judeus, foram um povo assim. Muitos atos realizados por eles compõem a nossa Bíblia e servem de modelo à toda a terra.

    Uma das passagens deste povo heroico está registrado em Isaías 29.13 “Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim.” Esta frase é parte de um diálogo de Deus com eles em tom de repreensão por estarem desvinculando sua fala das suas ações. Falavam muito e falavam bonito, mas faziam pouco. Muito discurso e poucas “Façanhas”. Isso não servia de modelo para ninguém. O que Deus queria daquele povo é o mesmo que quer de nós ainda hoje. A fé precisa vir acompanhada de ações.

  • Não adiantam discursos bonitos desacompanhados de atos impressionantes, impactantes, transformadores e promotores de resultados de transformação social, ética, espiritual, política e econômica a ponto de promover o bem estar das pessoas que estão em faixas de exclusão, abandono, confusão, descaso, discriminação e indiferença social. Temos aqui um convite urgente para ações relevantes, para façanhas, atos necessários que possam promover a vida em plenitude. Precisamos de um povo com virtudes e valores que alcancem os demais. Que acolham, que possam ser traduzidos como amor e bondade, que possam despertar esperanças e nutrir sonhos de felicidade, abundância e plenitude. Este povo somos nós. Somos chamados para conjugar nossa fé com façanhas que sirvam de modelo à toda a terra. Esse é o seu e o meu chamado urgente, não apenas para Setembro, mas para a vida.

  • Pastor Alcione Eidam – Capelão