Palavra do Pastor

  • A referência ao número quatro nos relatos bíblicos sempre está relacionado a um tempo que se refere à humanidade.

    Foram quarenta dias de chuva no dilúvio – tempo para limpar a humanidade de seus desvios e sua rebelião diante do criador. Foram quarenta dias que Moisés ficou no monte Sinai a fim de receber os Dez mandamentos que iriam servir de orientação de vida para a humanidade, sua ética e espiritualidade estariam orientadas a partir daquela referência de leis. Foram quarenta anos de caminhada pelo deserto para uma humanidade que havia se desviado dos caminhos de Deus e agora precisava aprender e retomar seus caminhos de aproximação a Deus. Quando Jesus foi batizado ele se retirou por quarenta dias no deserto e ali sua humanidade histórica foi preparada para os desafios que sua natureza divina já estava preparada.

    Estamos iniciando agora mais um tempo de quaresma, período de quarenta dias que antecede a Páscoa. É o nosso tempo. O tempo de os seres humanos serem convidados a rever seus caminhos e sua proximidade com Deus. É um tempo de chamamento dos seres humanos para o divino e o sagrado. É um tempo especial para você eu podermos rever nossas atitudes e a necessidade que temos de retomar nossos caminhos e rever nossas decisões e escolhas.

    O que estamos fazendo com o nosso tempo e as oportunidades que temos de viver mais perto de Deus e de acordo com os propósitos de Deus? Estamos conscientes da necessidade de amar, acolher, perdoar, desenvolver a justiça, partilhar o bem comum? Quais as limitações da nossa humanidade diante das necessidades da humanidade em geral? Até que ponto temos consciência que somos incapazes de fazer da nossa vida, uma vida exemplar? A partir da nossa consciência, o que estamos fazendo para promover mudanças em nossa própria caminhada?

  • É comum da nossa parte termos consciência da necessidade de mudanças externas e pararmos por aí. Isto não nos levará a caminhos seguros de mudança e transformação necessárias à instalação de melhores condições de vida e elevação dos níveis de tranquilidade, paz e harmonia à nossa volta. Precisamos promover reflexões que nos levem ao encontro de nós mesmos e ao encontro com Deus. Este é o caminho da mudança e da transformação.

    Lembrando Martinho Lutero, neste ano dos 500 anos da reforma, podemos refletir com ele quando diz que todos somos teólogos e as marcas de referência do teólogo são: Tentação, meditação e oração. O caminho da quaresma passa por aí. Estamos expostos a tentações, temos o caminho da oração que nos leva a Deus e o caminho da meditação que leva à palavra de Deus.

  • Que este tempo de quaresma possa ser para todos nós um tempo de reflexão a fim de elevarmos nosso nível de humanidade e ficarmos mais perto de Deus e com uma consciência mais humana em relação ao próximo.

    Pastor Alcione Eidam – Capelão